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“Os
partidos vivem uma crise porque não souberam compreender as
mudanças, nem respeitar valores éticos essenciais, nem
incorporar novos temas como o aquecimento global, por exemplo.
Uma política de esquerda deve apontar caminhos para o futuro.”
Rodolfo
Konder, 69 anos, é jornalista, escritor,
professor, tradutor e conferencista. Nascido em Natal
(RN), foi criado no Rio de Janeiro e se estabeleceu em São
Paulo após o AI-5.
Dirigente sindical na Petrobrás, entre 1961 e 1964,
fundou o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria
Petro-química, em Caxias, em 1963. Foi demitido da
Petrobrás e cassado, em seguida ao golpe de 1964,
exilando-se no México e depois no Uruguai.
De volta ao Brasil, em 1965, tornou-se jornalista.
Foi repórter de O Dia e A Notícia,
redator da Agência Reuter, editor internacional
de O Paiz, redator da revista Realidade,
editor internacional da revista Visão.
Em 1975, ainda na Visão, foi preso no
DOI-CODI; fora da prisão, denunciou publicamente as
torturas então praticadas lá dentro (inclusive contra
seu amigo Vladimir Herzog, assassinado
pela repressão) e foi novamente para o exílio, desta
vez no Canadá e, depois, nos Estados Unidos.
Foi professor de jornalismo, durante cinco anos, na
Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); foi
diretor das Faculdades Integradas Alcântara Machado
(FIAM) durante um ano; fez palestras e conferências
no Brasil e no exterior, sempre sobre temas relacionados
ao jornalismo, à liberdade de expressão e à luta pela
democracia.
De volta do segundo exílio, no final de 1978, foi um
dos fundadores da Anistia Internacional
no Brasil, sendo eleito vice-presidente e presidente da
Seção Brasileira, nos anos 80. Participou de vários
Congressos, no Brasil e no exterior, cumpriu missões
diplomáticas na Guatemala e nos Estados Unidos.
Trabalhou durante um ano como Coordenador de Difusão
da extinta Secretaria de Comunicação do Governo
Franco Montoro.
De janeiro de 1993 a dezembro de 2000, ocupou em São
Paulo o cargo de Secretário Municipal de Cultura.
Foi o único Secretário, na história da Secretaria, a
permanecer por oito anos no cargo.
Além disso, foi conselheiro da Fundação Padre
Anchieta, presidente da Comissão Municipal para as
comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil,
e diretor da Bienal de São Paulo. É Diretor
Cultural da UniFMU, diretor do MASP e
conselheiro da UBE.
Acompanhe a entrevista exclusiva de Rodolfo
Konder ao Blog do PPS/SP:
Na sua opinião, Konder, o que é ser de
esquerda hoje no Brasil?
Ser de esquerda é defender os Direitos Humanos
consagrados na Declaração Universal da ONU, defender a
Democracia, a Liberdade e a igualdade de oportunidades,
especialmente nos campos da educação e do trabalho. Sem
nostalgias.
Para o eleitorado, ainda existe uma diferença
clara entre esquerda, centro e direita?
A diferença parece cada dia mais tênue.
Por que os partidos políticos vivem hoje uma
crise de identidade?
Porque não souberam compreender as mudanças, nem
respeitar valores éticos essenciais, nem incorporar novos
temas como o aquecimento global, por exemplo.
Qual a importância da Conferência Caio Prado
Júnior, realizada para discutir a esquerda democrática e
um projeto para o Brasil?
É uma iniciativa louvavél, importante, que nasce com
a respeitabilidade do PPS. Talvez aponte um caminho.
Talvez.
O PT, considerado o maior partido da esquerda
no Brasil, construiu uma ampla aliança partidária para
exercer o poder e se viu envolvido em denúncias de
corrupção e escândalos. Estes fatos podem trazer alguma
consequência para os partidos de esquerda hoje e no
futuro?
A falência do PT, a filosofia, a corrupção, tudo terá
consequência para um naufrágio mais acelerado de alguns
setores da esquerda.
As políticas assistenciais do governo Lula,
que tem o Bolsa-Família como carro-chefe, são eficazes no
combate à pobreza e à miséria? Essas medidas podem ser
consideradas políticas de esquerda? Por que?
O assistencialismo do Governo não é eficaz, nem deve
ser considerado como uma política de esquerda, porque não
representa soluções definitivas nem aponta caminhos para o
futuro.
A reforma política que se discute no
Congresso propõe mudanças pontuais, como maior rigor na
fidelidade partidária, introdução de listas partidárias
fechadas nas eleições, financiamento público de campanha,
cláusula de barreira etc., além de colocar em debate temas
como o voto distrital e o parlamentarismo. Qual a sua
opinião sobre a reforma?
Sabemos todos que a reforma é necessária. As
propostas em discussão são pontuais, mas significam um
avanço. Um avanço insuficiente, no entanto.
Saiba mais:
Leia
aqui o depoimento de Rodolfo Konder
ao Museu da Pessoa.
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Veja
aqui mais teses sobre a esquerda
democrática e os debates da Conferência Caio Prado Jr.
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Rodolfo Konder
Jornalista e
escritor
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