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“A esquerda precisa atualizar seu discurso com novo programa,
novos ideais, novas metas e priorizar valores que estavam na
periferia do debate como: Meio-Ambiente, Esporte, Cultura,
Lazer, Matriz Energética, Defesa e Soberania Nacional.”
Ícone do
esporte brasileiro, o velejador e ex-secretário de
Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo
(2003-2006), Lars Grael, confirmou hoje a
sua participação na Conferência "Caio Prado Júnior",
que o PPS realiza no mês de agosto, em Brasília, e
concedeu entrevista exclusiva ao Blog do PPS/SP.
Lars Grael, 43 anos, paulistano, é casado
com Renata Pellicano Grael e tem três filhos: Trine,
Nicholas e Sofia.
Foi idealizador e fundador do Projeto Grael, hoje
Instituto Rumo Náutico, no Rio, que daria origem
ao Projeto Navegar, no âmbito federal, e o
Navega São Paulo, na administração paulista,
atendendo mais de 40 mil jovens.
Ao lado do irmão Torben, na classe
Snipe, foi bi-campeão brasileiro e campeão mundial.
No Tornado, Lars conquistou duas medalhas de
Bronze nas Olimpíadas de Seul (1988) e
Atlanta (1996), foi pentacampeão
sul-americano, 10 vezes campeão brasileiro e campeão de
tradicionais semanas de vela, como a de Kiel,
na Alemanha. Lars participou ainda dos Jogos Olímpicos de
Los Angeles (1984), terminando em 7º
lugar, e Barcelona (1992), em 8º. Compete
até hoje nas classes Star e Oceano.
Atualmente é presidente da Comissão Nacional de Atletas,
membro do Conselho Nacional de Esporte e "Embaixador das
Águas" da WWF no Brasil.
Veja a entrevista de Lars Grael ao
Blog do PPS/SP:
Na sua opinião, Lars, o que é ser de esquerda
hoje no Brasil?
Ser esquerda é a defesa do interesse prioritário do
cidadão, do contribuinte, da sociedade brasileira em
detrimento aos interesses cartoriais reinantes no país. É
optar por um socialismo democrático que concilie
desenvolvimento social e econômico, em harmonia com uma
política de livre mercado. É defender a universalização do
conhecimento e da educação e garantir ao povo brasileiro
cidadania, justiça equânime, saúde pública, segurança e
bem-estar.
Para o eleitorado, ainda existe uma diferença
clara entre esquerda, centro e direita?
Infelizmente não. Podemos agrupar os pensamentos
ideológicos em cinco ou seis grupos, mas o sistema
partidário nacional está lotado de 30 siglas desfiguradas
de programas, retóricas anacrônicas e coerência
ideológica.
Houve uma mistura promíscua entre partidos que se agrupam
por interesses momentâneos ou regionais e sem a menor
coerência de classificação por esquerda ou direita. Não
encontramos a divisão entre o líquido e o sólido, tudo é
meio pastoso e pasteurizado. O cenário nivelou-se por
baixo.
Por que os partidos políticos vivem hoje uma crise
de identidade?
Porque o Brasil perdeu o momento para uma ampla reforma
política. Pela discrepância entre a retórica e a prática.
Os partidos não possuem coerência e trocam de posições e
bandeiras sem o menor constrangimento. A falta de
fidelidade partidária permite uma revoada de políticos
para as hostes governistas em troca de favores,
recompensas, fatias do poder e de mecanismos impuros de
aliciamento. O sistema está desacreditado.
Qual a importância da Conferência Caio Prado
Júnior, realizada para discutir a esquerda democrática e
um projeto para o Brasil?
Fundamental. A esquerda precisa atualizar seu discurso com
novo programa, novos ideiais, novas metas e priorizar
valores que estavam na periferia do debate como:
Meio-Ambiente, Esporte, Cultura, Lazer, Matriz Energética,
Defesa e Soberania Nacional.
O PT, considerado o maior partido da esquerda no
Brasil, construiu uma ampla aliança partidária para
exercer o poder e se viu envolvido em denúncias de
corrupção e escândalos. Estes fatos podem trazer alguma
consequência para os partidos de esquerda hoje e no
futuro?
Já trouxeram. O PT poderá pagar um alto preço pela
incoerência. Sentirá o peso de uma aliança que, para
garantir a permanência no poder, aliou-se a partidos,
políticos e práticas opostas à sua pregação histórica. Por
outro lado, mantem prestígio popular, uma vez que logrou
êxito em migrar de um discurso esquerdista para uma agenda
populista e apelativa. O PT precisará buscar um novo
alinhamento ideológico.
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Lars Grael.
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aqui mais teses sobre a esquerda
democrática e os debates da Conferência Caio Prado Jr.
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Lars Grael
Velejador e
ex-secretário estadual de Juventude, Esporte e Lazer de SP
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