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Juca
Kfouri (foto), 56 anos, 36 de
jornalismo, é formado em ciências sociais pela USP. Foi
diretor das revistas Placar (de 1979 a
1995) e Playboy (1991 a 1994).
Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e
da Rede Globo (de 1988 a 1994).
Participou do programa Cartão Verde, da
TV Cultura, entre 1995 e 2000, e apresentou o
Bola na Rede, na Rede TV, entre
2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em
2003, onde ficou até 2005. Atualmente está na
ESPN-Brasil, onde participa do programa Linha
de Passe e comanda o Juca Entrevista.
Desde 2005 é colunista da Folha de S.Paulo - onde
já havia trabalhado de 1995 e 1999, quando foi para o
diário Lance!. Apresentou um programa de
entrevistas na CNT/Gazeta, Juca Kfouri ao
Vivo, entre 1996 e 1999. Colunista de futebol de
O Globo (1989 a 1991) e apresentador, desde 2000,
do programa CBN Esporte Clube, na rede
CBN de rádio.
É autor de "A Emoção Corinthians", "Corinthians Paixão
e Glória" e "Meninos eu Vi". Juca Kfouri
ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo
(Informação Esportiva), em 1991, com a equipe da
Placar; sete Prêmios Abril de
Jornalismo; e dois Prêmios Comunique-se
(imprensa escrita e TV) em 2004.
Acompanhe a entrevista exclusiva com Juca Kfouri:
Na sua opinião, Juca, o que é ser de esquerda
hoje no Brasil?
Ser de esquerda no Brasil é permanecer na luta pela
inclusão dos excluídos e não deixar de denunciar a
hipocrisia da sociedade brasileira.
Para o eleitorado, ainda existe uma diferença
clara entre esquerda, centro e direita?
Cada vez menos, na medida em que estrelas do petismo
cometeram um crime não apenas contra suas biografias, mas,
sobretudo, contra os que lutaram para derrubar a ditadura
militar.
Por que os partidos políticos vivem hoje uma crise
de identidade?
Porque, na verdade, quando chegam ao poder mostram que não
têm identidade.
Qual a importância da Conferência Caio Prado
Júnior, realizada para discutir a esquerda democrática e
um projeto para o Brasil?
Gostaria de acreditar que possa ter o papel de refundar um
pensamento de esquerda no país, algo que parece ter virado
palavrão.
O PT, considerado o maior partido da esquerda no
Brasil, construiu uma ampla aliança partidária para
exercer o poder e se viu envolvido em denúncias de
corrupção e escândalos. Estes fatos podem trazer alguma
consequência para os partidos de esquerda hoje e no
futuro?
O PT revelou-se tão conservador e medíocre, além de
corrupto, que, na verdade, provou ser apenas uma corrente
sindicaleira que tudo faz para ter poder e ponto final.
Seus métodos lembram o que houve de pior no chamado
peronismo de direita e de esquerda.
As políticas assistenciais do governo Lula, que
tem o Bolsa-Família como carro-chefe, são eficazes no
combate à pobreza e à miséria? Essas medidas podem ser
consideradas políticas de esquerda? Por que?
Têm sido inegavelmente eficazes eleitoralmente e, neste
aspecto, banca o avestruz quem não admite que significou
um passo adiante em relação ao governo tucano. Mas não são
políticas de esquerda, entre outras razões porque
desprovidas de quaisquer aspectos educativos, ideológicos
ou de conscientização.
A reforma política que se discute no Congresso
propõe mudanças pontuais, como maior rigor na fidelidade
partidária, introdução de listas partidárias fechadas nas
eleições, financiamento público de campanha, cláusula de
barreira etc., além de colocar em debate temas como o voto
distrital e o parlamentarismo. Qual a sua opinião sobre a
reforma?
Em primeiro lugar, o Parlamentarismo seria um avanço em
nossos usos e costumes. A fidelidade partidária é de uma
tal obviedade que custa a crer que ainda a estejamos
discutindo. Apóio a idéia do voto distrital, só imagino
listas fechadas depois que houvesse de fato uma reforma
dos partidos que nos permitisse confiar neles e gosto da
idéia do financiamento público, desde que sob controle de
conselhos da sociedade, como uma agência reguladora, sem
nenhuma participação de governos.
Após 8 anos desta gestão, o que restará para o
esporte nacional com as realizações da dobradinha PCdoB /
PT no Ministério do Esporte? Onde o país avançou? Onde
retrocedemos? O que poderia ter sido diferente?
Esta aliança foi um engodo. Continuamos a não ter uma
política esportiva no Brasil. O Ministério virou correia
de transmissão do PCdoB e não houve nenhuma ruptura com a
visão elitista, coronelista e profundamente corrupta que
caracteriza a superestrutura do esporte nacional.
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